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Posts Tagged ‘Leitura’

Começo respondendo a pergunta: pombos podem ser treinados a discriminar palavras e se comportarem de acordo com elas se seu comportamento for modelado para tanto.

De certa forma ler é isso. Também nós, humanos, ao nos depararmos com uma palavra nos comportamos em relação a ela da forma como fomos ensinados a nos comportar. Talvez você esteja se conçando para perguntar se há diferenças. A reposta é: há diferenças, sim.

Os princípios do comportamento são os mesmos para pombos e humanos, a diferença está primeiro na biologia: nosso organismo está muito mais preparado para o comportamento verbal do que o organismo do pombo. Isso acontece por um motivo: foram os homens que inventaram a linguagem com que se comunicam. Se fossem os pombos que tivessem “inventado” a linguagem  ela seria bem adaptada ao seu organismo.

Outro motivo: somos treinados para discriminar palavras desde que nascemos. Palavras faladas, escritas, desenhadas…. Temos um treino com palavras muito grande. E isso explica, em parte, porque o comportamento humano de leitura é diferente do comportamento de um pombo treinado a discriminar duas palavras.

Poderia ficar mais um bom tempo fazendo digressões sobre o tema, falar sobre equivalência de estímulos, por exemplo entre outras coisas. Contudo o objetivo deste post não é esse, mas sim apresentar um video de mesmo nome que achei no youtube.

O video “Pombos podem ler?” ou do original “B. F. Skinner on reinforcement” começa justamente mostrado um pombo se comportando de acordo com duas palavras que aparecem em um em um painel na sua frente: peck (bicar) e turn (virar). E a partir disso B. F. Skinner vai explicando como os estudos feitos com pombos podem ajudar a explicar o comportamento humano. Falará sobre esquemas de reforçamento, livre-arbítrio e sobre as causas do comportamento.

E termina com o Skinner falando a seguinte frase:

Agora se você olhar para a história, verá que haviam razões externas para tudo o que aconteceu. Em outras palavras, ao descobrir as causas do comportamento, nós podemos dispensar a causa interna imaginada disto, nós dispensamos o livre-arbítrio como uma divindade americana como D. Edwards o fez no século 18. Ele disse: “Nós acreditamos em livre arbítrio porque nós conhecemos o comportamento, mas não suas causas.” E é claro que o objeto da ciência do comportamento descobrir as causas e uma vez descobertas estas causas há menos necessidade de atribuir o comportamento a um ato de vontade interna e eventualmente, eu acredito que não atribuiremos nada a isso.”

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Relevante: A criança tem muitos livros em casa.
Irrelevante: Os pais lêem para a criança quase diariamente.

Conforme observado anteriormente, comprovou-se que uma criança com muitos livros em casa realmente se sai melhor nos estudos. Ler regularmente para ela, porém, não afeta suas notas. Tal afirmação parece encerrar um enigma, remetendo-nos à pergunta original: quanto exatamente, e de que forma, os pais realmente importam?
Comecemos com a correlação positiva: ter livros em casa é igual a melhores notas na escola. A maioria inferiria dessa
correlação uma óbvia relação de causa e efeito. Vejamos: um garotinho chamado Isaías tem um monte de livros em casa. Ele se sai muitíssimo bem nas provas de leitura na escola, provavelmente porque o pai ou a mãe costuma ler para ele. No entanto, a coleguinha Emily, que também tem um monte de livros em casa, praticamente nunca toca neles, preferindo brincar com sua Barbie e ver desenhos na televisão. Emily tem exatamente o mesmo desempenho escolar de Isaías. Por outro lado, o amiguinho de Isaías e Emily, Ricky, não tem nenhum livro em casa, mas freqüenta a biblioteca diariamente com a mãe; Ricky é um leitor fanático.
Curiosamente, seu desempenho escolar é pior do que o de Emily ou o de Isaías.
O que deduzir daí? Se ler livros não produz impacto nas notas escolares da primeira infância, será que sua mera presença física na casa torna as crianças mais inteligentes? Exercerão os livros algum tipo de osmose mágica no cérebro infantil? Se assim é, poderíamos nos ver tentados a simplesmente enviar um caminhão abarrotado de livros para todas as casas em que moram crianças em idade pré-escolar.
Com efeito, foi o que tentou fazer o governador de Illinois. No início de 2004, o governador Rod Blagojevich anunciou sua intenção de enviar um livro por mês a cada criança do estado, desde o nascimento até o ingresso no jardim-de-infância. O plano custaria $26 milhões anuais, mas, para Blagojevich, tratava-se de uma intervenção vital em um estado onde 40% dos alunos de 3ª série se encontravam abaixo da média em leitura. “Quando se possui [livros]
e eles são seus”, disse ele, “fazem parte da sua vida, isso contribui para uma sensação… de que os livros devem fazer parte da sua vida.”
Assim, todas as crianças nascidas em Illinois teriam uma biblioteca de 60 volumes ao ingressarem na escola. Isso resultaria em notas mais altas em leitura? Provavelmente não (embora jamais venhamos a saber com certeza: no final, o Legislativo de Illinois rejeitou o projeto). Afinal, os dados do Estudo Longitudinal não dizem que ter livros em casa
produza notas mais altas, indicando apenas que os dois fatores estão correlacionados.
Como interpretar tal correlação? Eis uma teoria provável: para começar, os pais que compram muitos livros infantis em sua maioria são inteligentes e instruídos (e transmitem seus conhecimentos e ética funcional aos filhos). Ou talvez se preocupem bastante com educação e com os filhos de maneira geral (o que significa que criam um
ambiente que estimula e premia o aprendizado). Esses pais acreditam — tão firmemente quanto o governador de Illinois — que cada livro infantil seja um talismã que conduz a uma inteligência ilimitada. No entanto, tal crença provavelmente não passa de um equívoco. Um livro é muito mais um indicador do que um agente de inteligência. Então o que tudo isso diz a respeito da importância dos pais em geral? Consideremos novamente os oito fatores do estudo
correlacionados às notas escolares:

A criança tem pais muito instruídos.
Os pais da criança têm nível socioeconômico alto.
A mãe da criança tinha 30 anos ou mais na ocasião do
nascimento do primeiro filho.
A criança nasceu com baixo peso.
Os pais da criança falam a língua nacional (inglês) em casa.
A criança é adotada.
Os pais da criança estão engajados na Associação de Pais e
Mestres.
A criança tem muitos livros em casa.
E os oito fatores sem correlação:
A família da criança está intacta.
Os pais da criança se mudaram recentemente para um bairro
melhor.
A mãe não trabalhou fora entre o nascimento do filho e seu
ingresso no jardim-de-infância.
A criança freqüentou o programa pré-escolar Head Start.
Os pais costumam levar a criança a museus.
A criança apanha com freqüência.
A criança assiste bastante à televisão.
Os pais lêem para a criança quase diariamente.

Supergeneralizando: a primeira lista descreve coisas que os pais são; a segunda, coisas que os pais fazem. Os pais realmente instruídos, bem-sucedidos e saudáveis tendem a ter filhos que se saem bem na escola. Aparentemente, porém, não faz grande diferença o fato de uma criança freqüentar museus, apanhar ou participar do programa pré-escolar Head Start, nem o de ler assiduamente ou se plantar diante da televisão. Para os pais — e os especialistas em parentalidade — que estejam obcecados com técnicas de criação de filhos, isso pode ser uma má notícia. A realidade é que, aparentemente, a técnica vem sendo supervalorizada.
No entanto, isso não significa que os pais não tenham importância. E claro que têm um bocado. Esta é a charada: quando se pega um livro sobre como criar filhos, já é tarde demais. A maior parte das coisas importantes foi decidida há
muito tempo – quem somos, com quem nos casamos, que tipo de vida leva-mos. Se você é inteligente, trabalhador, instruído, ganha bem e está casado com alguém igualmente privilegiado, seus filhos têm grandes chances de se dar bem na vida (também não atrapalha, ao que tudo indica, ser honesto, equilibrado, carinhoso, bem como interessado pelo mundo à volta). Porém não se trata tanto do que você faz como pai, mas de quem você é.
Nesse sentido, um pai superprotetor lembra muito um candidato político que acredita que o dinheiro ganha eleições, quando na verdade todo o dinheiro do mundo não é capaz de eleger alguém que os eleitores não apreciem.
Em um trabalho intitulado “The Nature and Nurture of Economic Outcomes”, o economista Bruce Sacerdote abordou o debate natureza-criação, fazendo uma avaliação quantitativa de longo prazo dos efeitos da criação de um filho. Utilizou três estudos sobre adoção – dois americanos e um inglês –, contendo da-dos consistentes a respeito das crianças adotadas, seus pais adotivos e os biológicos. Sacerdote descobriu que os pais que adotam filhos são quase sempre mais inteligentes, mais instruídos e mais bem pagos do que os pais biológicos do bebê. No entanto, as vantagens dos pais adotivos exercem pouca influência sobre o desempenho escolar do filho. Como também foi visto nos dados do Estudo Longitudinal, os filhos adotivos tiram notas relativamente baixas na escola; qualquer que seja a influência que
os pais adotivos exerçam, ela aparentemente é suplantada pela força da genética. Sacerdote descobriu, porém, que os pais não permanecem impotentes para sempre. Ao se tornarem adultos, os filhos adotivos já deram uma guinada expressiva quanto ao destino que lhes fora reservado apenas em função do seu QI. Comparados a crianças similares que não foram entregues à adoção, observou-se que os adotados são muito mais propensos a freqüentar a
universidade, conseguir empregos bem remunerados e esperar até o final da adolescência para casar. E a influência dos pais adotivos, concluiu Sacerdote, que faz a diferença.

Levitt & Dubner do Livro Freakonomics

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