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O método ABA (Apllied Behavior Analysis) é tradicionalmente usado no tratamento de crianças autistas. Esse tratamento, baseado nos pressupostos da Analise do comportamento, é muito eficiente e tem ganhado força no Brasil nos últimos anos.

O Ms. Robson B. Faggiani, psicoterapeuta ABA, explica nesta entrevista o que é o método e como funciona de uma forma clara e bastante didática.

Para maiores informações acerca do tema acesse o site: Psicologia e Ciência.

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“Mas uma tese é sempre feita sobre livros e com livros? Já vimos que também há teses experimentais onde se registram pesquisas de campo, fruto às vezes de meses e meses de observação do comportamento de um casal de ratos num labirinto. Sobre esse tipo de tese não me aventuro a falar, uma vez que o método depende da disciplina, e ademais quem costuma fazer pesquisas do gênero já vive em laboratórios, convivendo com outros pesquisadores, e não precisa deste livro. Só sei, como já disse, é que mesmo neste gênero de tese a experiência deve ser enquadrada numa discussão da literatura científica precedente, de sorte que também aí os livros entram em jogo.”

Umberto Eco, no livro Como se Faz uma Tese . 

Neste trecho Umberto Eco fala sobre a pesquisa em Psicologia Experimental, sobre o pesquisador da área e inclusive sobre a influência do ambiente no comportamento do pesquisador.

Uma delícia conhecer o ponto de vista dele e uma surpresa achar essa citação no meio do livro.

“Acho que se ela não teve coragem de falar pra mãe vai falar pro brasil todo ver?”

Foi essa frase que me fez ver a entrevista que a Xuxa concedeu ao Fantástico no domingo no dia 20 de maio de 2012.  Encontrei esta frase em um comentário no Facebook e ela ficou ecoando na minha cabeça porque eu sabia que era perfeitamente possível que uma criança não contasse para os pais que sofreu abuso e muitos anos depois, quando já adulto, contasse o que sofrera em uma situação pública.

O que acontece é que, apesar de a pessoa ser a mesma, as contingências mudaram. O nosso comportamento verbal também tem seus determinantes. Ou seja: falamos o que falamos por algum motivo. Normalmente, por vários motivos.

Quando a criança sofre abuso, é comum ela não contar o que esta acontecendo com ela porque as contingências que controlam o seu comportamento são aversivas. Contingências estas que geram sentimentos de medo, culpa e vergonha.

No site Chilhood responderam a pergunta “Porque as crianças não contam que elas têm sido abusadas?” da seguinte forma:

Por várias razões – todas compreensíveis. Em geral, o abusador convence a criança de que ela será desacreditada se revelar algo; que ela gosta daquilo e quer que aconteça; ou que é igualmente responsável pelo abuso e será punida por isso. É possível também que a criança sinta-se protegida por seu abusador e ache que estaria cometendo uma traição se falasse sobre o contato sexual entre ambos a outras pessoas. No caso de ter experimentado prazer físico, excitação ou intimidade emocional com o abuso, a criança provavelmente se sente confusa, o que a impedirá de falar. A fim de manter o ato em segredo, o abusador joga com o medo, a vergonha ou a culpa de sua vítima. Vale ressaltar que não existem situações nas quais uma criança seja responsável por qualquer interação sexual com um adolescente ou um adulto.

Nesta respostas eles explicitam as contingências aversivas que fazem com que uma criança se cale frente ao abuso.

E o que faz um adulto falar sobre uma experiência tão aversiva sobre a qual calou na infância?

Os motivos que levam um adulto a falar sobre o tema podem ser muitos.  Segundo Meyer (2008) “O comportamento verbal usualmente possui múltiplas fontes de controle. Uma única resposta pode ser função de mais de uma variável e uma única variável usualmente afeta mais de uma resposta.”

Em um adulto, com uma história de vida complexa e em um ambiente também complexo, não é apenas um motivo que o faz falar sobre determinado tema. Se no passado a criança calou por estar sob controle de contingências aversivas, muito provavelmente aquelas contingencias já não existem ou deixaram de controlar o comportamento daquele mesmo indivíduo quando adulto. O adulto encontra-se sob controle de outras contingências, e é para elas que devemos olhar.

Por isso, é verossímil que a apresentadora 1) realmente tenha sofrido abuso quando criança; 2) não tenha contado nada aos pais quando criança; 3) tenha contado na televisão que sofreu abuso 40 anos depois. As causas deste comportamentos são diferentes.

É importante alertar que, mesmo com novas contingências controlando o comportamento do adulto, isso não significa que não possa ser doloroso para ele falar sobre o assunto. E as consequências danosas do abuso podem continuar lá, mesmo que o adulto consiga falar sobre os acontecimentos.

O mais interessante é que, aparentemente, o fato de a apresentadora ter contado que sofreu abuso sexual na infância serviu de modelo para que muita gente resolvesse denunciar casos de violência domestica. Ou seja: a própria entrevista da Xuxa serviu de contexto  para que muitas pessoas ligassem (emitissem seu próprio comportamento verbal) para o serviço de denuncia de abuso.

Como dissemos, o comportamento verbal tem múltiplas causas (bem como, a maioria dos comportamentos). Por isso, antes de simplesmente duvidar do que está sendo dito, é importante analisar o contexto daquilo que está sendo dito.

Referência

MEYER, S. (et all.) 2008, Subsídios da obra “Comportamento Verbal de B.F. Skinner para a Terapia Analitico-Comportamental”. Rev. Bras. de Ter. Comp. Cogn., Belo Horizonte-MG, 008, Vol. X, nº ,1 05-118

A história da comunicação do ponto de vista de seus teóricos pode ser bem divertida. Essa foi a proposta do Prof. Ms. Jimi Aislan Estrázulas* que, para ensinar a história das  Teorias da Comunicação a seus alunos do curso de Jornalismo, criou Uma história contada através do Facebook.

A ídeia foi ilustrar a história da Teoria da Comunicação usando o layout de uma  timeline do Facebook acrescentando elementos da linguagem desta rede social para tornar o contéudo acessível e atrativo. A cada “atualização” de status nesta timeline encontramos vários elementos instrutivos/interessantes/divertidos, por isso, ao ler, preste atenção nos detalhes.

Diversão garantida para quem tem noções de história e Teoria da Comunicação, da linguagem do Facebook e das correntes da rede.  Dê uma espiadinha… você vai curtir:

* Contato do Prof. Jimi Aislan Estrázulas:  jimiaislan@hotmail.com

Não condenamos

o parentesco pródigo.

As ausências são perfeitas.

Incriminei a mãe para não sofrer sozinha.

Ela aparou as feições, sustentou a prole.

preparou estoque na despensa para um dia gastar,

aproveitou as garrafas vazias para encilhar o muro.

Capaz de adulterar os fatos

para me poupar da crueldade.

Sua proteção me deixou vulnerável.

Fabrício Carpinejar, poema do livro Cinco Marias

O Poeta Fabrício Carpinejar descreveu como alguns comportamentos da mãe tornaram a filha um adulto com baixa resisitência a frustração. Guilhardi explica bem isso neste trecho do texto Aspectos Éticos e Técnicos da prática psicoterápica:

“O controle positivo pode produzir seres humanos bastante desadaptados. O reforçamento contínuo leva a um desenvolvimento, em que a pessoa tem baixa resistência a frustração, dando origem a adultos frustrados, sem iniciativa, dependentes e que, em geral, se tornam agressivos, em particular contra as pessoas que os reforçaram. A argumentação de que o amor implica em liberar consequências reforçadoras, porém de forma não contingente, não diminui a gravidade do problema. Aquilo que é “bom” reforça, independente do desejo do controlador. Mais que isso, fortalece algum comportamento, mesmo que seja de maneira supersticiosa. A não consciência, por parte de quem maneja os eventos e por parte de quem é o receptor desse manejo, gera graves distorções. Lembro-me de um cliente que se casou e descobriu, espantado, que não tinha a menor idéia de quanto devia pôr de leite e de café no seu copo para preparar o café com leite, porque a mãe, a vida inteira, lhe trouxe pronto. É obvio que o papel da mãe foi preenchido pela esposa. A partir daí, a relação deixa de ter o status de marido-mulher e mais se aproxima do padrão mãe-filho. Esse cliente nãe se queixou nunca de não ter sido amado, mas é infeliz e dependente… Muitos outros exemplos clínicos poderiam ser apresentados de como o amor destrói…”

Helio Guilhardi

No poema observamos que mãe não apenas reforçava constantemente o comportamento da filha como também não deixa que ela entre em contato com as consequências aversivas naturais de seus comportamentos – “Capaz de adulterar os fatos para me poupar da crueldade” – cumprindo, desta forma, o seu papel de “mãe zeloza”.

Claro que cabe aos pais protejer seu filho quando estes ainda não são capazes de fazê-lo. Contudo, também cabe a eles educar o filho para que no futuro ele possua um repertório comportamental que o permita lidar com problemas e situações aversivas quando estas aparecerem. Se durante a infância e adolescencia as contingências aversivas nunca (ou pouco) lhe forem apresentadas, no futuro provavelmente este filho não saberá lidar com elas.

Não existe uma receita pronta para isso e – acalmem-se pais! – nem tudo sairá perfeito, contudo existem comportamentos paternos que podem ajudar as crianças a aprenderem em como lidar com contingêncas. O principal é deixar que a criança entre em contato com as consequências do seu comportamento, sempre de forma segura, e dando suporte emocional para estas situações. Tudo feito dentro das limitações da criança em cada idade, mas lembre-se: a criança só poderá aprender quando entrar em contato com as contingências. Isso é crescer, amadurecer.

Os processos de aprendizagem implicam em emitir comportamentos simples e, dependendo das consequências destes, passar a emitir comportamentos cada vez mais complexos. O papel dos país não é retirar por completo as contingências aversivas do ambiente da criança – é introduzi-las no ambiente a medida em que a criança for aprendendo a lidar com elas.

Criar um adulto com baixa resistênca a frustração pode ser uma armadilha inclusive para os pais, já que seus filhos quando adultos serão  “sem iniciativa, dependentes e que, em geral, se tornam agressivos, em particular contra as pessoas que os reforçaram” como descreveu Guilhardi ou, como disse em Carpinejar em linguagem poética, “Incriminei a mãe para não sofrer sozinha (…) Sua proteção me deixou vulnerável.”

Não, Carpinejar, as ausências não são perfeitas, mas tampouco o é a presença desmedida.

Bibliografia

Carpinejar, F. (2007). Cinco Marias: poemas. 3 Ed. Bertrand Brasil, Rio de Janeiro-RJ. (p. 56)

Guilhardi, H. Aspectos Éticos e Técnicos da Prática Psicoterápica. Disponível em: http://www.terapiaporcontingencias.com.br Acessado em 29 de abril de 2012.

Em 2004 o Encontro anual da  Associação Brasileira de Psicoterapia e Medicina Comportamental (ABPMC)* aconteceu em Campinas. Estava no quarto ano de faculdade e na minha terceira ABPMC.

Naquele ano comemorava-se os 100 anos do nascimento de B. F. Skinner (1904-1991), fundador do Behaviorismo Radical, teoria em torno da qual a ABPMC se organiza. A própria filha de Skinner compareceu no evento, Julie S. Vargas, e nos presenteou com algumas de suas histórias.

Por conta das comemorações, havia no evento 100 citações do Skinner em pequenos cartazes espalhados pelos salões e corredores do hotel sede do Encontro.

Ao final do evento perguntei se poderia levar alguns embora e, frente a autorização da organização, recolhi 14 cartazes. Destes, 12 foram parar na porta e na parede do meu quarto, como pode-se ver na foto acima, e lá ficaram até final de 2006 quando mudei de apartamento.

Já não tenho mais cartazes em meu quarto, contudo as frases de Skinner continuam ecoando no meu organismo, no meu ambiente, no meu comportamento.

* Atualmente mudou o nome para Associação Brasileira de Psicologia e Medicina Comportamental, mas mantém a mesma sigla e a mesma qualidade.

“Nonetheless, Keller led the way in discounting the entertaining lecture as an adequate form of instruction. He knew that learning, like research, should be driven by the actions of the student- the student, not the teacher, is the performer. The professor arranges the contingencies so that the student responds and moves at his own pace by encouragement and corrective prompts until mastery occurs. If the student does not learn, it is up to the teacher to fix it!” Douglas Greer, Carl Cheney, Julie S. Vargas

“Good-bye Teacher”… Fred Keller (1899-1996)

“Não obstante, Keller liderou o rebaixamento das palestras de enterteirimento como uma forma adequada de instrução. Ele sabia que aprender, assim como pesquisar, deveria ser dirigido pelas ações do estudante – o estudante, e não o professor, é o protagonista. O professor arranja as contingencias para que o estudante responda e se mova em seu próprio ritmo por meio de aprovações e correções imediatas até atingir a maestria. Se o estudante não está aprendendo, cabe ao professor corrir o programa.”