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“Gosto de dizer. Direi melhor: gosto de palavrar. As palavras são para mim corpos tocáveis, sereias visíveis, sensualidades incorporadas. Talvez porque a sensualidade real não tem para mim interesse de nenhuma espécie – nem sequer mental ou de sonho -, transmudou-se-me o desejo para aquilo que em mim cria ritmos verbais, ou os escuta de outros. Estremeço se dizem bem. Tal página de Fialho, tal página de Chateaubriand, fazem formigar toda a minha vida em todas as veias, fazem-me raivar tremulamente quieto de um prazer inatingível que estou tendo. Tal página, até, de Vieira, na sua fria perfeição de engenharia sintáctica, me faz tremer como um ramo ao vento, num delírio passivo de coisa movida.
Não choro por nada que a vida traga ou leve. Há porém páginas de prosa que me têm feito chorar.”
Bernardo Soares*, Livro do desassossego
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Estou escrevendo um artigo para a disciplina de intertextualidade sobre a origem psicológica dos heteronimos pessoanos.
Logo volto com novidades!
* Bernardo Soares é um semi-heterônimo de Fernando Pessoa
Nossa!
Eu não podia ficar mais interessado nesse seu trabalho!!
Esse texto é uma boa pista, parece-me!!
Conte mais!
Beijos.
pô, não conhecia o pontuando, só fui saber pelo inagaki! (rsss)
e que outra bela surpresa agora, quando recém postei sobre o mesmo livro, e encontro a mesma imagem também por aqui. ressonância pura. (estou curioso para ver tb esse seu texto)
bjs,